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sábado, 19 de maio de 2012

O desafio de se fazer um desenvolvimento sustentável




A falsa perenidade com que alimentava o ruído do progresso a qualquer custo, isso desde a revolução industrial, soou num erro rotundo. As previsões de fazer da natureza o objeto de exploração infinita levou a humanidade a entrar na sua pior crise. Gerou-se uma enorme riqueza no mundo, mas ela não foi distribuída e nem respeitou-se os limites da sua opulência dependente.

A incapacidade do capitalismo de mitigar a pobreza no mundo pode significar uma total crise das finanças e da forma como o próprio conjunto da sociedade está posto.  Seguramente que o processo de redução da desigualdade não pode passar sem o envolvimento dos empreendimentos do setor privado.

Encolhidos pela estabilização do crescimento e pelo envelhecimento da população, os mercados dos países ricos já estão saturados. São palco de uma competição tão intensa, que, com frequencia, torna-se predatória e ruinosa para todos os envolvidos. Já o potencial de mercado dos países em desenvolvimento em geral é relegado pelas empresas, que tendem a enxergar apenas seus “bolsões” de riqueza, disputados de maneira igualmente intensa e, não raro, predatória.

A projeção populacional para 2025 prevê uma concentração de 85% das pessoas vivendo em países em desenvolvimento ( hoje não são cerca de 80%). Além disso, dos 7 bilhões de seres humanos que vivem no planeta, cerca de 1,1 bilhão vive na condição de miserável. Atualmente, 2,4 bilhões são crianças e adolescentes, e vivem predominantemente nos países em desenvolvimento (Almeida).

Desenvolvimento sustentável, portanto, passa por uma tomada de consciência de todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Não haverá como equalizar essa situação sem que haja uma mudança completa. Não sabemos como ela se dará, de que forma e quando, mas sabemos que terá que mudar. Não haverá saída sem uma mudança total no mundo da economia, que afeta tudo e a todos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Gauguin - a alma do artista



Taiti – luxuriantes ilhas verdes num mar de anil. Pontudos picos vulcânicos rasgando o azul do céu. A espuma de uma queda d’água pendendo de sua encosta de jade. Recifes de corais, repletos de uma vida colorida exótica. Pôr do sol multicor tinge o horizonte naquele céu tropical cheio de nuvens. Ondas verde-azuladas, desenrolando numa praia de areia branca ou chocando-se contra a pedra de lava na praia imersa numa noite púrpura. O rico solo vulcânico. As verdejantes florestas tropicais, cheias de árvores com flores aromáticas e arbustos de numerosas tonalidades brilhantes.

Os sons de Taiti – as pancadas de rebentação, uma queda d’água na floresta tropical, os constantes ventos alísios soprando as palmeiras, o cantor místico do povo taitiano.
Os taitianos – nascidos de um mar inquieto e de uma terra colorida – um povo bonito e sensual que acredita que as verdadeiras finalidades da vida é a busca da felicidade nesta antiga terra. Um povo ardente e ousado, numa terra luxuriante.

Paris, 1885. O corretor de valores, Paul Gauguin, acabara de perder tudo no recente colapso da bolsa de Paris. E seu casamento também desmoronara e sua mulher e seus filhos haviam partido para junto do pai dela na Dinamarca. Aos trinta e sete anos, desempregado e sem família, Gauguin podia então se dedicar ao seu verdadeiro amor na vida: “pintar todos os dias”. Acontece que Gauguin aspirava ser um pintor. Anos antes ele começara a pintar como um passatempo. Sua juventude como um marinheiro lhe mostrara outras terras, outras caras e cenas tropicais coloridas, que sem dúvida desencadearam seu interesse pó luz e cor. Ele ansiava por expressar na tela o que sentia dentro de si mesmo. Em 1876, um dos seus primeiros quadros, “ Paisagem em Viroflay “, foi recebido no salão. Animado por esse sucesso e fascinado com o sempre variado jogo de luz solar nos objetos, Gauguin foi inicialmente atraído pelo Impressionismo – a escola de pintura de pintura interessada na representação da luz e seus efeitos na paisagem. No Impressionismo, pinceladas curtas de numerosas cores intensas são usadas para representar ou expressar o jogo da luz sobre os objetos. Muito serio em sua devoção e entusiasmado com os conceitos dos Impressionistas, Gauguin estudou com os pintores dessa escola, Camille Pissarro e Paul Cezanne. Em 1880, foi convidado para expor seus quadros numa famosa mostra Impressionista.

Assim, quando perdeu seu emprego, sua mulher e seus filhos, Gauguin se atirou febrilmente ao seu trabalho de pintura, determinado a expressar seus apaixonados sentimentos sobre a cor e a luz. Sozinho em Paris, sem dinheiro e sem amigos (seus sócios o haviam abandonado), ele continuou a se dedicar a sua pintura, aproximando cada vez mais a sua obra daquilo que sentia interiormente.

Durante seu período mais difícil (fins da década de 1880/90), ele foi influenciado pelos pintores Georges Seurat e Paul Signac, excitados pelas idéias deles sobre as possibilidades expressivas da cor. Foi também influenciado por Vicente van Gogh, com quem estudou brevemente em Arles, em 1888.

Durante esse período, Gauguin começou também a reavaliar seus valores e os valores do mundo dos negócios a que estivera associado. Achou sufocantes os valores materialísticos burgueses da classe média francesa e detestou o que sentiu como a artificialidade da civilização européia (refletida, percebeu ele, em sua própria arte). Gauguin ansiava por um retorno à natureza e a à verdade. Estas idéias foram expressas em sua pintura. Afastando-se do Impressionismo, ele preferiu expressar uma idéia em seus quadros, evocando um sentimento particular no observador. Esse método conceitual de representação influenciaria a pintura de Gauguin pelo resto de sua vida e, aliás, grande parte da arte do século XX.

Em 1891, buscando um novo ponto de partida e cansado de “tudo o que era artificial e convencional”, Paul Gauguin deixou a civilização européia e partiu para o Taiti.

domingo, 15 de abril de 2012

Água - o mercado do futuro




Em 2000 foi realizado Segundo Fórum Mundial da Água. Naquela reunião, a água passou a ser, não mais um “direito inalienável”, mas uma “necessidade humana”.

Esta afirmação leva a justificar, do ponto de vista dos limites à substituição de uma postura mercantilista dos recursos hídricos,  o processo em curso de desregulamentação e privatização deste recurso natural.

 A água e o ar são bens comuns à humanidade, cuja exploração e lucro foram privatizados, mas o ônus causado pela degradação desses recursos é comunitário.

A Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou, em julho de 2010, a proposta apresentada pela Bolívia, e apoiada por outros 33 Estados, de declarar o acesso à água potável como um direito humano. De fato, o  acesso à água é um direito que os governos devem garantir aos seus cidadãos. Então, mantendo descentralizado, o controle independente é um requisito essencial, necessitando de mecanismos de governança reforçados. É também crucial para a prevenção de conflitos no momento em que a tensão sobre este recurso vital está aumentando em todo o mundo.

 É certo que vivemos uma estreiteza de visão de nós e de nossa relação com os demais e com as diferentes formas de vida que nos fazem companhia neste planeta azul. E isso tem sido a principal causa do desequilíbrio que assistimos em nosso tempo.

Consoante estatística da ONU, presentemente carecem de acesso a água potável mais de 1 bilhão de pessoas distribuídas em regiões e países acometidos do problema de escassez de água, motivada por lençóis freáticos que secaram, insuficiência de precipitações, contaminação, desertificação, etc, como é o caso da China, Oriente Médio, México, África do Norte, Califórnia, Cingapura e outros. Até 2025 – segundo a ONU – devido ao crescimento populacional a disponibilidade das provisões dessas pessoas constitui uma agravante na solução do problema, mormente quando ainda se discute a viabilidade econômica de um projeto sobre a maciça exportação de água, que exigiria elevados investimentos na construção de supernavios – tanques, aquedutos, túneis, canais especiais e outras estruturas próprias.

Como se percebe, é preciso aumentar o grau de consciência das pessoas, para que tenham uma percepção de seu papel na vida conjunta e de si mesmo, o que demanda um permanente grau de organização interna. Como fazer isso? Como fazer com que esse complexo papel da orientação individual adquira consciência para a inter-subjetividade, se os indivíduos não superaram a alienação?

terça-feira, 3 de abril de 2012

UTOPIA - em busca de uma nova sociedade



Era um dia na roça, uma pequena revolução francesa, um período de razão numa forma de doces caseiros. Com estas palavras o destacado Filósofo Ralf Waldo Emerson descrevia A Fazenda Brook, um golpe de sorte à racionalidade individualista da época, que se converteu em um dos experimentos de maior prestigio entre os numerosos ensaios comunitários que proliferaram nos Estados Unidos no decurso do século XIX.

Transcorria o ano de 1841, quando a paradisíaca fazenda leiteira de quase 78 hectares nas margens do sinuoso rio Charles foi ocupada por um grupo de intelectuais, musicólogos, escritores, e entre os quais encontrava-se o famoso novelista Nathaniel Hawthorne, várias damas da sociedade e dois experientes fazendeiros, comandados por Georges Ripley, com a intenção de assegurar uma união mais natural entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, bem como conciliar o pensador ao trabalhador, preparando assim uma sociedade de pessoas livres, cultivadoras casa coisas do espírito e cultas, cujas relações recíprocas permitiriam uma vida mais integra e simples, capaz de se sair imune diante das pressões de nossas instituições competitivas e da sociedade repressora de uma vida livre.

A aritmética e o conforto se transformaram na formula mágica de Ripley, que abandonou seu magistério para buscar a Utopia. Mas em suas próprias bases, a comunidade encontrou seu próprio germe de destruição, já que sendo oficialmente uma associação de indivíduos e não uma associação comunitária, onde os membros compartilhariam todas as propriedades, a fazenda Brook se organizou como uma companhia de ações conjuntas com títulos de 500 dólares cada um, e sob um sistema de juros de cinco por cento.

Aspirava-se que dessa maneira, a taxa inicial seria o suficiente para sustentar os primeiros custos da propriedade, proporcionando sustento às famílias e cobrindo os gastos de operação do primeiro ano. Porém, o que na imaginação parecia belo e sem defeito, como projeto, nunca se efetivou por completo. Desde o início, foram raras as ocasiões em que existiram técnicos e artesãos suficientes para estabelecer as indússtrias da comunidade e promover o desenvolvimento econômico.

As duvidas e os problemas foram aumentando com o tempo. Escassearam-se os membros instruídos e não foram suficientes os dois experientes fazendeiros.  O lugar revelou-se desfavorável e foi preciso comprar toneladas de fertilizantes e complementá-las com o lodo para adubar o terreno. Tudo isso exigiu maior capital do que fora estabelecido pelo contrato, e consequentemente a fazenda se endividou. Não obstante, nem tudo foi adversidade. Ocorreram experiências que deixaram a marca dos sonhos desses homens: os fazendeiros se dedicaram à vida social e agrícola, frequentemente havia apresentações de comédias teatrais e música no refeitório comunitário, logo após serem lavadas as louças do jantar. Ocorreram festivais de verão, festas “capiras”, bailes carnavalescos, recitais e apresentação de balé, os grupos de estudos filosóficos se reuniam com frequencia e a enorme biblioteca de Ripley estava sempre repleta de pesquisadores, entre os quais, Emerson, Füller, Acott, o exímio orador e reformista trabalhista Orestes Brownson, etc.

A fazenda Brook, como a maior parte das experiências comunitárias cheias de boas intenções, e se defrontou rapidamente com o que havia mencionado o filósofo Emerson, ao reconhecer que por mais bem intencionados que fossem, tais tentativas somente criaram revoluções ilhadas que sobreviveriam graças à tolerância da sociedade global, cuja modificação almejavam. Dessa maneira, segunda as previsões do pensador, na manhã de 3 de março de 1846, a fazenda, convertida então em falanstério tipo Fourier, ficou praticamente extinta. Para comemorar a ocasião, realizo-se um baile. Infortunamente quando a orquestra iniciou seus acordes, ocorreu um incêndio, cujas labaredas eram visíveis a vários quilômetros de distancia. Todos os esforços para apagar o fogo foram inúteis. Depois, tornou-se impossível arrecadar mais fundos para a utópica fazenda.

Ficou na memória uma breve historia de um sonho que um dia há de vingar e prosperar. Esse tipo de semente demora para fazer nascer a árvore, mas ela nascerá um dia. Até lá, mergulhado no silencioso labor de quem cuida do Jardim, espero o caule do tempo que sobe a escada da esperança. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pinheirinhos - o retrato da violência



Pinheirinhos capitulou, infelizmente. O rastro de violência, desespero e tristeza são coisas que comovem e causam indignação. As expressões nos rostos daquelas pessoas é de quem sente o látego da dor, o desamparo e o medo. São vitimas contumaz dessa herança colonial brutal que herdamos dos colonizadores, dos 328 anos de escravidão, dos 24 anos de terror e escuridão da ditadura militar. Somente recentemente o Brasil alcançou uma nesga de luz através da democracia, ainda em processo. Muito longe de termos uma democracia substancial. E, como esse passado autoritário dormita no inconsciente coletivo desta nação, os representantes do povo não conseguem, ainda, fazer o papel que lhes cabe, a não ser fazendo uso dos antigos instrumentos de poder, da violência, da truculência, do desrespeito aos direitos humanos. 

Quem olha as imagens daquelas pessoas e da forma como elas estão sendo tratadas, temos a nítida impressão de que estão em campos de refugiados. Policia vigiando o entorno dos acampamentos, filas dos desalojados para receber uma migalha para matar a fome, mas há outra fome que aquele forte esquema não conseguirá mitigar: a fome de afeto, de sentido de pertencimento, de olhar desamparado, distante, sem que veja nada além, a não ser o medo, medo e medo. 

Sob a batuta do poderio militar, aquelas pessoas voltam de um antigo lugar que elas construíram para si, não só o lugar físico, mas dos sonhos. Querem viver, viver. Querem suas casas, seus filhos, os vizinhos, os cachorros que latem na madrugada, fiel companheiro do seu dono, e os gatos que passeiam pelos telhados; querem o riso das crianças brincando em casa, fazendo arte, acordando cedo para ir à escola. Querem tudo de volta. Era pouco, o lugar era pobre, havia uma escassez, mas os sonhos os moviam a seguir em frente. Chegaram ali, poderiam ir mais longe, pensam. E iriam. Mas o olhar agora só vê os restos de antigos sonhos. Frangalhos, pedaços, retalhos de sonhos que se confundem com a fumaça, fome, gritos, choros, tiros e dor. Era o fim. 

De outro lado porém, como afirma Safatle, "há uma parcela da população que se excita quando vê a polícia 'impondo a ordem', por mais teatral e ineficaz que seja tal imposição. Para tal parcela, a polícia é um fetiche que serve para embalar o sonho de uma sociedade de condomínio fechado". Sim “fechado” em todos os sentidos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Direitos humanos e sua negação

Colunista da Folha de São Paulo, Vinicius Motta tenta, em artigo com o titulo "A miséria da Sociologia", explicar a pouca importância da luta pelos direitos humanos. O artigo cai no lugar comum, além de reproduzir um discurso da ideologia que tem sua gênese nos pré-tempos coloniais. Para o colunista do Jornal, não são as contradições objetivas do social que reproduzem a violência e a desestruturação do tecido social. Não; os problemas da sociedade são explicados somente pela má índole de pessoas desajustadas. São o resultado da ação "individual" daqueles que não conseguem viver como "civilizados" na sociedade. 

Para o colunista essa "ladainha" dos "direitos humanos" é mais um "preconceito" do que uma preocupação em defender a vida. E vida, pensa o colunista, tem seu valor de acordo com o que é assegurando na ostentação de bens que são obtidos - desde os tempos coloniais - no mais incólume processo histórico de uma classe que não se insere nas responsabilidades pelas mazelas que afligem o nosso violento quadro social. 

Enquanto encontramos todos os indícios de que esse modo de vida que quer o Vinicius, centrado no puro individualismo, leva a derrocada de qualquer projeto humano, não perdemos a visão prospectiva nos reptos da globalização, para assegurar o direito á defesa da vida, da dignidade, da paz, da justiça social, por um mais ser do homem em qualquer lugar da terra. 

Negar que os problemas sociais existem por causa da imensa desigualdade social, que a violência é o mero resultado de ação de indivíduos violentos é negar a ideologia com que recobre uma longa historia de violência que está estruturada na própria historia da formação deste país; é por emplastro sobre a estrutura hegemônica regida por uma ideologia de dominação de séculos, e pela marginalização radical do perigo que esse universo midiático que impor na troca da verdade pela indução de seus simulacros. 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lula, o ódio e a fera


Lula, o ódio e a fera

Quem quiser conhecer mais um pouco a face feia do animal humano, esse ser em evolução - sei que há quem defenda que o processo de evolução já se consumou nesta espécie, eu acho que não - é só dar uma olhada nos irascíveis comentários que correm na internet, sites de jornais, blogs e colunas que tratam da saúde de Lula. Algo para a gente não esquecer - se é que essas pessoas querem lembrar-se  disso - ou seja, há uma fera que habita dentro de cada ser humano, rosnando dia e noite através dos noites escuras do seu inconsciente, desde quando deixou as árvores, habitou as cavernas, mas que ainda não conquistou a luz da razão iluminada, como queriam os Iluministas. Freud desconfiava que o homem, habitado por duas pulsões em luta constante, não conseguiria suplantar a pulsão destrutiva, Thanatos, e que continuaria a travar a batalha em uma guerra psiquica que nunca teria fim. Jung também, mas esse, ao contrario de Freud, afirmava que o caminho era longo e solitário, até que ele reconhecesse, não a luz, mas as suas sombras terríveis. Era o passo para domar a fera que mora dentro de sua própria casa (Freud). Começaria ai uma jornada ruma a humanização da sua condição, que necessita de mediações, da cultura, da arte, dos sonhos, da literatura, da música, da filosofia, da mística, dos mitos, enfim, de tudo aquilo que nos faz humanos, portadores de qualidades singulares. Mas a ausência dessas mediações  nos devolve às feras, ao nosso passado sombrio, sempre emergindo por meio de arquétipos sombrios de nossa ancestralidade.

O fenômeno, com o disfarce politico, assemelha-se as histerias de grupos, que Jung afirmava que era o terreno propicio para o nascimento do Fascismo, do Nazismo em tempos bem próximos. Percebe-se, pois,  que os dois corifeus da psicanálise nos ajudam a entender o quanto estamos em plena caverna. Aliás, das cavernas nós já saímos, dirá um apressado morador das luzentes cidades grandes de qualquer lugar do mundo, só não sabem que é somente a vestimenta que disfarça a pele do animal. A fera não dorme por baixo da indumentária. Platão afirmava que todos habitamos a caverna. Somente “a vaidade desse macaco” afirma Nietzsche, quer contrariar a sua própria historia.

Precisamos de uma educação - não a que o modelo regido pelo mercado quer impor – que nos leve a pensar a vida, o dever ser, enfim, a cultura (arte e pensamento). Isso nos fará atravessar esse longínquo caminho a percorrer na senda do saber, até que consigamos atingir o centro de nós mesmos, o Self. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

12 de Outubro – O massacre

 
Hoje é dia 12 de outubro de 2011. Em 12 de outubro de 1492, o navegador Cristóvão Colombo descobre a América, segundo eles diziam, como se não houvesse uma população nesse lugar. Chamavam a terra nova. Só que os habitantes nativos já se encontravam aqui há milhares de anos, e chamavam esse continente de Aby ayala.

Os europeus chegaram com suas com suas armas, seus preconceitos e impuseram um sistema de dominação avassalador. O balanço macabro da conquista pode ser demonstrado por alguns números aproximados: na ilha de Hispaniola, quando Colombo chegou em 1492, existiam 400.000 índios; em 1542, exatamente 50 anos de ocupação pelos Civilizados, provocaram um massacre, restando apenas 200; no México, na população era de 11 milhões em 1520, reduzido-se a 4 milhões 50 depois. Numa visão global, na America Espanhola da época da descoberta existiam aproximadamente 50 milhões de índios, enquanto na época da independência (Seculo XIX) o número chegava a 8 milhões.

Milhões de negros foram arrancado de seus países e submetidos a escravidão, por serem tidos como raça inferior e sem alma. Os povos negros vinham em navios abarrotados, submetidos a uma situação que nem aos animais se poderia imaginar tamanha barbaridade.
Por mais de 4 séculos negros e índios foram reduzidos a coisas, objetos, desprezíveis. As potencias colonizadoras se empanturravam de riquezas, pilhando e explorando o continente “descoberto”. A Igreja Católica, que havia dado aval as potencias colonizadoras, pede moderação, ao que os católicos colonizadores respondiam: “se acata pero no se cumple”. E o sangue jorrava pelas terras da América.

Com essa ação das potencias européias, nasceria a dicotomia que atravessaria os séculos e chegaria até os dia atuais: o Norte rico e o Sul pobre. Sendo o sul “civilizado”, enquanto que o Norte é atrasado, ignorante, bárbaro.

Os efeitos deletérios dessas ações desumanas não tiveram o seu dia de independência até o presente. Milhões ainda morrem na pobreza, fome, e o analfabetismo é grande. Os Criollos dos nossos tempos mantêm seus privilégios, enquanto um grande contingente mantém-se a margem. Lembrar a história ajuda a esclarecer e entender o passado à luz do presente. 

sábado, 19 de março de 2011

Platão - O Mundo das Idéias



O Filósofo Platão, que viveu entre 427 e 347 a.C., acreditava que “o universo ou tudo que existia estava dividido em duas partes: o mundo dos sentidos e o mundo das idéias. No mundo dos sentidos só se podia ter um conhecimento aproximado das coisas porque tudo estava mudando a cada minuto. Tudo ‘fluía’, tudo era transitório”. Nosso corpo não é mesmo que Ra a 7 anos atrás; nós mudamos. Nosso corpo não é o mesmo que era a 7 horas atrás. Nosso sangue mudou completamente nesse espaço de tempo. Num espaço de 7 horas ficamos diferentes. Podemos não perceber essa mudança sutil, silenciosa, mas ela está acontecendo ininterruptamente dentro de nós (Oliveira).


Segundo Platão “nunca poderíamos conhecer algo que se transforma constantemente. O mundo material se assemelha, portanto, a uma bolha de sabão”. É transitório, irreal e ilusório.

“Quanto ao mundo das idéias, lá sim havia um mundo imutável. Lá estavam contidas todas as idéias, toda a criação e nossa alma residiam lá nesse mundo superior; e “dentro da alma é que se encontrava a razão a verdade. Quando uma alma descia e encarnava num corpo mortal esquecia desse mundo das idéias perfeitas”. Perdia sua memória. Com o decorrer da vida uma vaga lembrança ia emergindo lentamente dentro do homem e com isso surgiam ao mesmo tempo um anseio, uma saudade e uma vontade de retornar à morada da alma. Essa saudade da sua verdadeira casa Platão chamou de Eros, que significa Amor”.

“O ser humano que experimentava essa sensação, esse anseio amoroso por Deus, essa vontade de retornar à sua morada original, passava a ver o corpo e tudo que era sensorial como assessório, mas imperfeito”. Dessa forma, portanto, “Platão encaixou o corpo do homem nessa divisão. Sua cabeça seria o mundo das idéias e o abdômen seria o mundo dos sentidos. Nessa divisão simbólica, o peito seria uma fase intermediaria entre os dois mundos. Essa divisão não existia apenas fisicamente mas seria alegoricamente a divisão do caminho que o homem teria que trilhar no vôo evolutivo.

Cabeça – Razão - deve aspirar a sabedoria
Peito – Vontade – deve mostrar coragem
Abdômen - - Desejo ou Prazer – deve ser controlado

Portanto, o caminho do Filósofo seria esse: passar pelas três etapas evolutivas. Alcançando o mundo das idéias reais. Isso o conduziria do mundo da Caverna, "lugar onde todos nos encontramos" – belamente narrado na “Alegoria da Caverna” – para a Luz. 

quarta-feira, 16 de março de 2011

A Razão é Divina


Devido as mudanças que ocorreram na ciência desde Galileu, é comum se ouvir comentários negativos sobre a “razão”. A razão é tida como bloqueadora dos aspectos mais elevados que existem no homem, impedido que ele possa transcender. 

Por outro lado proclamou-se ao longo dos séculos que a razão era um dos principais meios para se chegar à certeza. Entretanto, os Filósofos reconheciam – desde a Antiga Grécia – a razão como o mais elevado processo mental do ser humano. A razão tende continuamente para uma unidade de experiência, assim como converter o desconhecido em conhecido. É a razão que busca a causa possível por trás dos efeitos. O espírito que raciocina é o verdadeiro espírito pensante (Lewis).

A palavra razão, na sociedade Ocidental, tem origem em duas fontes: o temo latino “ratio” e o termo grgo “logos”. Segundo Marilena Chaui, ambos os temos são substantivos originados de verbos com sentidos semelhantes em grego e latim. “logos vem do verbo legein, que quer dizer: contar, reunir, juntar, calcular”: “Ratio vem do verbo reor, que quer dizer: contar reunir, medir, juntar, separar, calcular(1997, p.59). E o que fazemos, questiona Chaui, “quando medimos, juntamos, separamos, contamos e calculamos?”. Pensamos, com medida e proporção, de forma ordenada.

Portanto, a razão fornece uma orientação pessoal à nossa vida, porque nos dá uma compreensão e diminui a confusão.

Aristóteles dizia que a razão é uma força imóvel, uma inteligência cósmica (Theo), na qual existe toda forma, toda realidade. Ela move o homem e todas as coisas e os leva a se manifestarem, permanecendo ela própria imóvel.

O Filósofo Plotino (205?-270 A.D) declarava que a razão contemplativa era a alma. Segundo ele, a essência da alma se esforçava para alcançar essa verdade contemplativa que é prerrogativa da Razão Divina. “Nossa razão humana ordinária é muito próxima da razão contemplativa que é a alma” – dizia ele.

Na era Moderna, Immanuel Kant (1724-1804) pensava que nosso mundo apresentava três aspectos:
Um sujeito capaz de pensar e perceber, como o ser humano;
Um mundo composto de fenômenos que são percebidos pelo ser pensante;
Os objetos do pensamento em geral.

Kanta sustentava que a razão procurava abrir a porta para a unidade em cada um desses fatores. Em outras palavras, ele afirmava que a razão se encontrava na busca da alma como base unificadora da atividade do espírito. Podemos deduzir que Kant propunha que a razão fosse  o instrumento que a alma empregasse para dar ao homem um vislumbre da realidade.


John Locke (1732-1704), filosofo Inglês, em seu Ensaio Sobre a Compreensão Humana, perguntava-se porque os homens raciocinavam tão fracamente. E ele prosseguia dando três respostas para sua própria pergunta:

- em primeiro lugar, a maioria das pessoas absolutamente não raciocina. Deixam-se levar pelo pensamento dos outros e mantêm opiniões baseadas na fé e não em suas pesquisas pessoais. A autoridade daqueles em que se baseia a fé produz a certeza, mas isso é perigoso porque leva a aceitação dogmática.
- em segundo lugar, a razão é estorvada pelas emoções. Sentimos antes de refletirmos, na maior parte das experiências. Isso empana nossa verdadeira razão e nos leva a ter um espírito estreito e preconceitos.
- em terceiro lugar, nosso espírito é limitado pela parcialidade: “vemos, mas só vemos em parte; conhecemos, mas só conhecemos em parte. Isso nos leva, então, a generalizar rápido demais.

Somos levados ao conhecimento de nós mesmos (Sócrates) e à abertura dos canais da intuição pela sondagem intelectual da razão. É a razão contemplativa que estabelece um motivo, um objetivo para uma perceptividade intencional da mente.

É abstração do ser humano, por exemplo quanto à Causa Primeira, Deus, ou quanto as causas naturais, que cria para ele a disposição que afinal induz o estado meditativo pelo qual ele pode chegar à experiência transcendental.

Ninguém é esclarecido de repente sobre um assunto a que nunca dedicou o menor pensamento. Deveríamos compreender que as idéias que a mente humana nutre tiveram antes necessidade de terem sido ligadas a um preceito precedente, para serem compreendidas. 

segunda-feira, 14 de março de 2011

O que trazemos de nossa ancestralidade


A civilização humana já tem milhares de anos e velhos vícios comportamentais ainda se perpetuam. Se pudéssemos caminhar pala linha da vida da humanidade e chegássemos próximos de quando o homem apareceu na terra, na sua fora mais primitiva, talvez o que mais caracterizava o ser humano em sua estrutura psicológica e o acompanha até hoje é o MEDO. Quando o homem morava nas cavernas, andava em grupo para manter-se salvo da ameaça dos animais predadores que dividiam com ele no espaço natural (Michel).

O homem evoluiu mentalmente, mas muito pouco em seu instinto. Depois do medo de ser atacado por animais passou a ter medo de membros da sua própria espécie que pudessem saquear o seu alimento, mulheres e bens que ele possuía. Passou então a fazer uso de artefatos para sua defesa. As primeiras armas surgiram nesse período. Esse novo paradigma do medo desenvolveu no homem a habilidade da guerra em nome da preservação de seu grupo. O grupo deu lugar às classes – no advento da sociedade e da divisão de classes – e isso separou os grupos em níveis sociais. A Idade Média foi o palco da força da classe nobre sobre as classes menos favorecidas. O MEDO, do poder dominava os povos vassalos. Aliado ao poder reinante sempre esteve o poder religioso – que se tornava cada vez mais institucionalizado – e juntos governavam as sociedades com mãos de ferro. A fogueira, a guilhotina, a forca e a tortura eram meios de coação bastante usados, poucos ousavam transpor os limites estabelecidos pela elite reinante.

Chegamos e era Moderna e o que vemos não representa muito em termos de mudança. Aliado aos medos de morrer, ficar velho, da doença, da pobreza, da critica e de perder o amor da pessoa amada, poderíamos citar ainda o medo das bombas nucelares, de ser roubado, de ser preso, dos quais poderíamos classificar de MEDOS SOCIAIS porque cria uma sociedade defensiva, separatista, anti-social e isolada em dogmas, sistemas políticos, classes sociais, profissionais e culturais. O totalitarismo, o capitalismo, as ideologias liberais e as religiões têm não desempenharam papeis de mudanças significativas, para dar a humanidade o que ela mais precisa que é a liberdade. A humanidade se desenvolveu em nível extraordinários no campo das ciências exatas, biológicas, da razão instrumental, e sociais mas falta ainda responder muitas questões no campo da psique humana, do fazer ser. O paradigma humano ainda é o mesmo – O Homem é u ser medroso, acorrentado às suas dúvidas, carências e condicionamentos.

Apesar de se encontrar preso e condicionado a estruturas sociais dogmáticas e outras condicionantes, descobertas da física quântica nos mostra, nessa nova forma de ver a vida e suas relações, que tudo está inter-relacionado. A partir dessa nesga de luz a humanidade encontra um caminho mais auspicioso. A música, a poesia e o canto de um pássaro regatam no homem a sua essência de ser natural, parte da natureza e não dono dela.

Ao invés de acumulo desmedido, da ganância, de guerras, devemos cultivar flores em nossos jardins, brincar com as crianças, deixar que a inocência das crianças nos mostre o paraíso que perdemos com egoísmo, fazer novos amigos, promover a paz entre os homens e a conciliação entre todas as religiões, ter mais contato com a natureza, mais liberdade para pensar, agir e participar de movimentos sociais e políticos visando o bem-estar comum.

A Inteligência Emocional tem mostrado a irracionalidade da inteligência Racional Instrumental e o lado direito do cérebro já meio esquecido começa a acordar de seu longo sono para mostrar a beleza de uma composição musical, uma bonita obra de arte, uma poesia, um belo recanto natural, o sorriso de uma criança, um amigo que nos alegra a vida ou os momentos com a pessoa amada. Coisas simples como essa resgatam em nós algo que já está meio perdido - O Humanismo

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Einstein: ciência, politica e economia


 Einstein é uma das figuras mais admiradas no mundo. Sua genialidade não se resume somente a descoberta da teoria da relatividade; ele era uma pessoa extremamente preocupada com os destinos do mundo, com as injustiças sociais, com a grande desigualdade, com a apropriação de armamentos de destruição em massa por governos enescrupulosos. Enfim, Einstein, um humanista preocupado dom destino da raça humana, mostra a necessidade de dar sentido moral, social e político à ciência; é preciso evitar o pior.

Einstein tinha uma concepção de Deus que vinha de Espinosa. Ou seja, Deus não estava – como acontece no cristianismo – distante, contemplando o universo de seu belvedere; ao contrario, estava imerso no mundo, imanente, manifestação harmônica do Universo, presente em tudo e em todas as coisas.

De seu humanismo, de suas reflexões sobre as questões sociais, Einstein nos legou uma possibilidade de podermos estabelecer um mundo de igualdade, livre de injustiças sociais e de respeito pela pessoa humana. Isso só se daria com a implementação do socialismo. Diz ele:

“Estou convencido de que há apenas uma forma de eliminar esses grandes males, que é o estabelecimento de uma economia socialista, acompanhado de um sistema educacional orientado para objetivos sociais. Nessa economia, os meios de produção são propriedade da sociedade e utilizados de forma planejada, uma economia planejada que ajusta a sua produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho de tal forma que todos poderiam trabalhar, e garantiria uma vida para cada homem, mulher e criança. A educação do indivíduo, além de estimular as suas próprias habilidades inatas, procuraria desenvolver nele um sentido de responsabilidade para com o próximo, em vez de incentivar a glorificação do poder e do êxito como acontece em nossa atual sociedade”.

Einstein percebeu que as relações humanas foram desmanteladas pelo modo hegemônico do capitalismo, preocupado tão somente com lucros, Einstein propõe que a correção dessa anomalia deveria ser compensada por uma planificação econômica socialista, pois os males provocados pela privatização da vida pelo capitalismo ameaçavam a dignidade humana.

Einstein continua sendo uma referencia dentro da ciência e da política.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fascismo grassa em tempos de incertezas



Vem Vem Crescendo a xenofobia e o racismo na Itália, expandindo-se pelo continente europeu. Os dois maiores lideres dessa “neopolitica” (despolitização), expressão do Filósofo francês Pierre Musso - Berlusconi e Sarcozy – são frutos do fortalecimento da extrema-direita, ultradireita, antiimigrante, xenófoba, racista, fruto do enfraquecimento das políticas de bem-estar social, do encolhimento do espaço público e das lutas pela igualdade, minguados pela sanha do capitalismo. Já não há mais – ao que parece, utopias a orientar os rumos das sociedades tomadas pelo poder hegemônico do capital. Todos – em todos em cantos, são chamados (e forçados, já que hegemônico) a rezar o "evangelho do mercado", enquanto o que restou da política – aliada à religião, coproduziram "uma mercantilização do direito que abre caminho até para negociar os direitos fundamentais”, conquistados a duras penas nos últimos dois séculos e meio. 

O que prometia igualdade, liberdade e proteção – aspiração da modernidade -, vira pesadelo diante da privatização, do desmonte das conquistas, enquanto o mundo globalizado cria enormes desigualdades, paraísos e infernos.

É com esses espectros que a velha Europa vem se deparando em meio às incertezas que rondam o mundo civilizado(?). Para piorar a situação, a extrema direita estadunidense aparece com os mesmos matizes encontrados no nimbo de muitos países europeus, mas com conexão direta com o super patriotismo homicida.

No Brasil, por outro lado, vimos emergir um miasma de pântanos sombrios, insuflado por uma direita raivosa, por uma mídia assentada na sanha do capital, sempre a serviço da classe dominante. Abriram-se as portas da inculturação, do sombrio, numa perspectiva de assanhar antigos conteúdos identitários pré-tempos coloniais, onde o poderio das oligarquias se empantufava de riqueza a custa do sangue das minorias. Não esquecendo esse atavismo que a classe dominante não ousa recuar, o próximo encontro está sempre prestes a acontecer, basta o momento propicio para isso. “Não tarda nem falha”. Foi o que aconteceu: dominantes e dominados mediram forças nessa fatídica eleições 2010, quando o povo resolveu desmascarar de vez os senhores das Senzalas. O rei ficou nu. Se o resultado demonstrou a vitoria do povo, a classe dominante limou as garras e soltou suas feras infernais: xenofobia, preconceito e raiva. Mostrou-se o mundo das hegemonias sobre as dominações, do estranhamento do outro pela marginalização radical e do perigo do universo mediático da troca da verdade pela indução de seus simulacros.

Com as bênçãos da Opus Dei, centenas Serristas abraçaram o pontificado dessa corrente sombria e obscura, arquitetada pelo que de mais reacionário e medieval existe nesses porões frios da indiferença, destilando  pela internet o mais corrosivo dos venenos: o ódio.

As sombras de nossa ancestralidade não foram iluminadas pelas luzes da razão(Kant). Arquétipos sombrios de um passado primitivo não nos abandonou. Um longa jornada, das arvores às cavernas, das cavernas ao ar gelado do Ar Condicionado. Quase nada mudou, exceto as indumentárias.

Cutrale, Reforma Agrária e o Latifundio



Por meio de habeas corpus impetrado pelos advogados da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e do Setor de Direitos Humanos do MST, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por unanimidade, determinou o trancamento do processo crime instaurado na Comarca de Lençóis Paulista/SP contra todos os trabalhadores rurais sem terra acusados da prática de crimes durante a ocupação da Fazenda Santo Henrique – Sucocitrico-Cutrale – entre 28/9 e 7/10/2009.

Os trabalhadores tiveram prisão temporária decretada, que foi posteriormente convertida em prisão preventiva. Os decretos de prisões foram revogados em fevereiro de 2010, por meio de decisão liminar, concedida pelo Desembargador Relator Luiz Pantaleão, mas, a decisão final no habeas corpus, aguardava, desde então, voto vista do Desembargador Luiz Antonio Cardoso.

E como ficou a acusação contra os trabalhadores rurais, o que diz a justiça? em relação a cada um dos acusados, declararam inexistir ocorrências dando conta de que os trabalhadores tenham subvertido a ordem pública.

A decisão do Tribunal de Justiça representa importante precedente jurisprudencial contra reiteradas ilegalidades perpetradas contra a luta dos trabalhadores rurais sem terra, contra o ordenamento processual penal, e, sobretudo, contra as garantias constitucionais vigentes. Esperamos que esta decisão se torne cotidiana, para fazer prevalecer o senso de justiça em oposição aos interesses do agronegócio, do latifúndio e dos empresários contrários ao desenvolvimento da reforma agrária que, naquela oportunidade, louvaram os ilegais decretos de prisão contra os trabalhadores.

Só falta - para fazer justiça e informar a todos os brasileiros - a grande mídia comercial, a mais interessada na descaracterização dos movimentos sociais, veicular essa importante noticia, para que não se passe despercebido uma decisão tão importante para as conquistas sociais.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A liberdade em Hegel


É lugar comum se falar de liberdade, que estamos numa democracia, que as liberdades devem ser respeitadas, que todos têm o direito de ir e vir. Enfim, a liberdade foi um dos temas mais propagados pela grande mídia comercial nas eleições de 2010. Mas a liberdade que defende a Grande Midia Comercial não inclui as principais questões que legitimam a verdadeira liberdade, a saber, as condições sociais "necessárias para que uma vida livre possa ganhar realidade". 

Hegel apontou as condições das desigualdades sociais como responsáveis por fazer naufragar essa aspiração livre. Para Hegel, “não é possível ser livre sendo miserável”.

É mais comum ainda é a parolagem sobre o conceito liberal da democracia como sendo o regime da “lei” e da “ordem” quando isso não garante nem a democracia e nem a liberdade. Por quê? Porque isso “permitia a Hegel lembrar que a defesa da liberdade não passava pela crença liberal da redução do Estado a simples ator responsável pela segurança pessoal, assim como pela garantia das propriedades e contratos. Ao contrário, era necessário um ator social capaz de limitar as tendências paradoxais das sociedades civis de livre mercado, quebrando o puro interesse dos particulares”.

Nesse caso, é importante lembrar a hierarquia do psicólogo Abraham Harold Maslow. Para ele, as pessoas só se fixam em certos objetivos pessoais depois que outros mais importantes já foram resolvidos. Insegurança física, desemprego e condições precárias de vida vêm antes mesmo da educação. Sem que essas condições sejam atendidas, pouquíssimos darão atenção ao ensino e serão livres.

A liberdade, portanto, só se afirma quando os provimentos para assegurar as relações sociais sob a forma de bem comum estão garantidos pelo Estado. Por isso que a “Liberdade não é apenas um modo de relação a si, mas também um modo de relação social. Por isto, aqueles para quem o Estado é uma espécie de monstro a limitar as nossas possibilidades de autorrealização talvez não saibam o que dizem”.

O Estado, portanto, passa a garantir a liberdade quando assegura os pressupostos indispensáveis a sua consecução, a saber, a justiça social, o acesso a todos aos bens necessários à cidadania e ao bem-estar de todos os indivíduos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De quem é a culpa?


A catástrofe na região serrana do Rio de Janeiro é noticiada com todo alarde, comove corações e mentes, mobiliza governo e solidariedade. No entanto, cala uma pergunta: de quem é a culpa? Quem o responsável pela eliminação de tantas vidas? A catástrofe que se bateu no Rio de Janeiro é noticiada com todo alarde, comovendo o Brasil inteiro. No entanto, caberia uma pergunta: de quem é a culpa?

À mídia interessa o espetáculo, seja onde for que aconteça, mas sem jamais abordar as causas. Como a imprensa não levanta essas questões de fundo, fica-se a impressão de que a culpa é do acaso, ou se quiser, de castigo, de São Pedro, essas coisas. São Paulo e outros municípios tiveram – e continuam – tendo seus problemas com inundação, que sempre vitimiza a população carente, morando em áreas de risco, em barracos, bem distante do poder publico.

Foi Darwin quem nos ensinou que, na natureza, sobrevivem os mais aptos. “E o sistema capitalista criou estruturas para promover a seleção social, de modo que os miseráveis encontrem a morte o quanto antes”.

“É esse darwinismo social, que tanto favorece a acumulação de muita riqueza em poucas mãos” (65% da riqueza do Brasil estão em mãos de apenas 20% da população), que faz dos pobres vítimas do descaso do governo, da falta de planejamento, do abandono das políticas comprometidas com o bem comum, com o social, ignorando os marcos regulatórios  da boa política e anabolizam a especulação imobiliária, empurrando a população para áreas de risco, sem esgoto, sem pavimentação, etc.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Os desafios da raça humana


Martin Rees - astrônomo britãnico

Podemos enumerar uma sequência um tanto quanto assustadora, mas verossímil.  Dilúvio no Brasil. Terremoto no Haiti. Calor de 9°C no Ártico. Nevasca nos Estados Unidos. Enchente em Buenos Aires. Tempestade na França. Outro terremoto, no Chile. Alteração no eixo terrestre. Tsunamis. Iceberg-monstro descolado da Antártida a errar pelo Atlântico Sul. Terremoto de novo, em Taiwan. E, para completar, migração ecológica em todo o mundo, previsão para acontecer a partir do ano 2040, segundo o cientista britânico James Lovelock.

Para Sir Martin Rees, professor de cosmologia e astrofísica na Universidade Cambridge e, como um dia foi Isaac Newton, presidente da Royal Society (a academia de ciências do Reino Unido), as previsões para a terra não são nada boas, caso as ações dos homens continuem demonstrando irracionalidades, o que pode tornar este o pior dos mundos possíveis, invertendo a frase do filósofos Alemão Gottfried Wilhelm Leibniz, que afirmava vivermos “no melhor dos mundos possíveis”. Segundo Martin Rees “Um único evento de bioterrorismo ou ‘bioerro’ fará 1 milhão de vítimas em 2020". Isso por conta da biotecnologia, cada vez mais avançando. O que fará surgir, lá para 2020, segundo Rees, milhões de sujeitos capazes de cometer uma catástrofe biológica. Rees desconfia da parca consciência da nossa sociedade pós-moderna. Não estamos formando as pessoas para o convívio harmônico entre si e a natureza; estamos formando para serem jogadas na sanha do capitalismo voraz, nada interessado em comunhão, harmonia, afetividade e cooperação, mas unicamente em competir, lucrar a qualquer preço. 

O mundo vive uma extrema desigualdade, e isso desequilibra as possibilidades de equalização entre os que têm e os que nada possuem. “A crescente desigualdade, especialmente entre a elite financeira e o resto, é socialmente corrosiva. O prestígio dos banqueiros deve ser reduzido ao dos corretores de imóveis ou dos vendedores de automóveis”, diz Rees.

Esperar essa mudança de mentalidade a que se refere o cientista é parecer ingênuo, mas reflete um dura verdade.

Apesar de haver quem profetize o fim do mundo para 2012, Rees tem uma previsão mais...distante, digamos, para esse aguardado fim. Mas só daqui a 5 bilhões de anos, que é quando o Sol esgotará sua energia. Isso pode frustrar muitas mentes ingênuas, sempre esperando o fim do mundo: “Como astrônomo, eu sei que o Sol não está nem sequer na metade de sua existência. Levou 4 bilhões de anos para que nós evoluíssemos desde o primeiro sinal de vida. Mas, tendo em vista o que resta de tempo ao Sol, ainda há pelo menos 5 bilhões de anos pela frente para uma evolução 'pós-humana', sobre ou fora da Terra. Os seres humanos não são o ponto culminante da evolução, assim como não o era o primeiro peixe que rastejou para a terra seca".

Assim sendo, temos uma árdua tarefa pela frente, educar as gerações presentes e futuras, tendo em vista não a competição, o consumismo, as disputas, mas a cooperação entre os povos, nações, guiados pela ética, pelo respeito à vida, pela distribuição de renda, pela humildade frente a nossa finitude terrestre. 

sábado, 28 de agosto de 2010

Arte e os arcanos da anima




Guilherme de Farias nasceu em 1942. Pintor, escritor, gravador e desenhista. Em 1963, realiza sua primeira exposição individual na Galeria Ambiente, em São Paulo. 

"A Caixa Cultural São Paulo apresenta, de 17 de julho a 29 de agosto de 2010, a mostra ‘Guilherme de Faria - Obra Gráfica’, expondo um dos grandes ícones da gravura brasileira da década de 80 e que produziu (entre 1978 e 1993) mais de 600 edições documentadas, totalizando 83.000 litografias originais impressas a partir de matrizes em pedra litográfica", assim diz os jornais sobre a exposição do meu amigo Guilherme de farias. Exposição que tive o imenso prazer de conferir. 

Guilherme tem uma inquietação em entender a complexidade que envolve o feminino. Sua pintura e sua escrita trazem essa marca. Seu livro "A alma Welt (2008)" é uma imersão nas muitas representações desse arquétipo, é uma sondagem pelo numinoso de modo incomum. Lembrei-me de Goethe: "o eterno feminino nos conduz para frente, para o alto". Sua pintura revela o olhar do artista que retrata o corpo, e que nele expressa movimento, desejos, mas que passa em revista as inquietudes e os conflitos ante o "eterno feminino". O resultado dessa reflexão seria a revelação polissêmica, a integração do ser às labaredas que nos perturbam, um desespero acerca da legitimidade processual e suas múltiplas nuances, e não apenas um complexo bioquímico isolado em cada categoria sensorial. Seria o casamento entre os opostos? Com certeza. O corpo – dizia William Blake, revela seus segredos, mas até que os cinco sentidos sejam desagrilhoados, permanecemos aprisionados. Segundo Schiller, para alargar a compreensão estética, corrigir uma pré-compreeensão dada, teríamos que educar os sentidos. "Abrir as portas da percepção", diria Blake. 

Guilherme de farias é uma artista urbano, mas a sua arte não é o perfil do artista que sedimenta uma cultura urbana própria; vai além da representação visual do mundo urbano, pregado a banalização da cultura de massa, suas estereotipias... quer captar o que engloba para além da representação social. Desvelamentos! 

Publiquei no site www.paraguacity.com 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Womam in the Windows - visões do poeta Jim Morrison de um futuro sombrio



Há vários consensos na comunidade cientifica de que o universo e todos os seres se originaram de um processo evolutivo, iniciado a cerca de 15 bilhões de anos a partir do vácuo quântico e da primeira singularidade – o Big Bang – de infinita quantidade de calor. Depois, o universo começou a esfriar e a se expandir, fazendo aparecer os vários campos energéticos, topquarks, átomos, galáxias estrelas e planetas como o nosso. Há aproximadamente 3,8 bilhões de anos irromperam, nos prístinos pântanos da terra, as primeiras formas primitivas de vida. Todas se complexificam nas inúmeras formas de vidas: plantas, répteis, pássaros e mamíferos. Um desses da cadeia dos mamíferos – os humanos – dotou-se nos últimos 4 e/ou 5 bilhões de anos, de consciência e subjetividade.

Todo o processo global foi se configurando paulatinamente, sem nenhuma pressa. A consciência Cósmica gesta sua complexidade em sua misteriosa calma. E o processo evolutivo precisou de um longo tempo para permitir a vida e a consciência surgirem.

Avançando os ponteiros desse relógio cósmico – metáfora que serve para nos localizarmos - A cultura material começa e tem um início prático, como esta era uma produção dos instrumentos primitivos. Os antigos sempre tiveram um senso de cuidado e preservação pelo ambiente em que ocupavam, deram-lhe diferentes nomes à terra. Para uma cultura ela era Gaia, outra a chama de Isis, uma outra a Chamava de Pacha Mama e por ai vai.

Mas um dia o homem perderia o contato com essa reverencia. O progresso – termo já bastante gasto – se fez rapidamente. Se o homem aprendera a contemplar a natureza, a beleza de cada estação, de suas mudanças e ciclos, o progresso técnico cientifico muda essa maneira de ser e de se ver no espelho da Mãe Terra. O homem se vê agora como homo faber, que maneja a técnica, que domina a natureza, que domina a sua riqueza, que domina os outros seres vivos, que passa a dominar os da sua própria espécie, subjugando e explorando. O homem decresce diante do que ele via. Ela gora só vê a cor do dinheiro. Tudo é passível de negocio na mercantilização de todas as coisas, inclusive a vida. O homem se torna objeto.

Os anos 60, anos frutíferos e de critica a essa visão técnica/cientifica/materialista propõem outra forma de vida, não mais essa que oprime, que destrói, que pilha, que barganha, que inibe a liberdade, que quer transformar o sujeito em objeto. Tudo é contestado.

Nesse turbilhão todo, Jim Morrison compõe o belíssimo poema  “Womam in the Windows”. 
I am the woman in the window
See the children playing
Soldier, sailor, young man on your way
To the summer swimming pool

Can you see me standing
In my window, can you hear me laughing?
Come upstairs, sir, to your room
And I will play for you

Oh, dreamland, golden scene land
Try to sleep land, take us to dreamland
I am unhappy far from my woman
Just try and stop us, we're going to love

Just try and stop us, we're going to love
Just try and stop us, we're going to love

"Eat at my table", she cried to the vineyards
Calling the workers home from the meadows
Man, you are evil, get out of my garden
Just try and stop us, we're going to love

Just try and stop us, we're going to love
Just try and stop us, we're going to love
Just try and stop us, we're going to love
Just try and stop us, we're going to love

Cover us over, love

Open your window, women of Palestine
Throw down your raiment and cover us over
Riding the prairie, just me and my angel
Just try and stop us, we're going to love

Just try and stop us, we're going to love
Just try and stop us, we're going to love
Just try and stop us, we're going to love
Just try and stop us, we're going to love

Esse poema contém previsões corretas sobre o estágio do mundo atual - incluindo a linha, "homem, você está mal, saia do meu jardim." Jim conseguiu captar o que seria um dos principais problemas do nosso inicio de século: a destruição da natureza.

Como afirma muito bem Dan Morrell, existe uma clara influencia de Walt Whitman aqui.

Seguindo outro épico dos Doors, when the Music's Over tem um verso que traduz a preocupação de Jim Morrison com a destruição da natureza. Um verso - um lamento abertamente ecológico:

"O que eles fizeram com a Terra / O que eles fizeram para a nossa irmã gentil? / devastado e saqueando e roubando dela e pilhando / cravaram-na com facas ao lado da aurora/ e amarram-na com cercas / E arrastaram-na para baixo".

O lamento do poeta é o lamento da dor da terra sangrando. É o lamento pela destruição da Mãe natureza, gentil, fértil, ofertando sua docilidade e abundancia aos homens. E, ele, o que faz? Devasta, pilha, saqueia, destrói, vende e acumula o que é de todos.

É a imagem da destruição, da morte que acompanha a sociedade industrial, individualista e ávida pelo lucro e satisfações pessoais. “A Ciência – segundo José Lutzemberg – deve voltar a ser o que era para os antigos Gregos – percepção de harmonia, gozo estético, deleite espiritual exercício intelectual”.



***


O texto abaixo Ilustra exatamente essa idéia que Jim Morrison traduz no poema Woman in the windows. Trata-se  da famosa carta do Chefe Seattle, escrita por volta de 1852 e endereçada ao presidente dos Estados Unidos, que na época havia feito um inquérito sobre a aquisição das terras indígenas para serem ocupadas pelos imigrantes que chegavam ao país.

Texto integral retirado do livro - O Poder do Mito -  de Joseph Campbell, autor que Jim Morrison estudou cuidadosamente.

 “O Presidente, em Washington, informa que deseja comprar nossa terra. Mas como é possível comprar ou vender o céu, ou a terra? A idéia nos é estranha. Se não possuímos o frescor do ar e a vivacidade da água, como vocês poderão comprá-los?

Conhecemos a seiva que circula nas árvores, como conhecemos o sangue que circula em nossas veias. Somos parte da terra, e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O urso, o gamo e a grande águia são nossos irmãos. O topo das montanhas, o húmus das campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, pertencem todos à mesma família.

Os rios são nossos irmãos. Eles saciam a nossa sede, conduzem nossas canoas e alimentam nossos filhos. Assim, é preciso dedicar aos rios a mesma bondade que se dedicaria a um irmão.

O que sabemos é isto: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Todas as coisas estão ligadas, assim como o sangue nos une a todos. O homem não teceu a rede da vida, é apenas um dos fios dela. O que quer que ele faça à rede, fará a si mesmo.

O destino de vocês é um mistério para nós. O que acontecerá quando os búfalos forem todos sacrificados? Os cavalos selvagens, todos domados? O que acontecerá quando os cantos secretos da floresta forem ocupados pelo odor de muitos homens e a vista dos montes floridos for bloqueada pelos fios que falam? Onde estarão as matas? Sumiram! Onde estará a águia? Desapareceu! E o que será dizer adeus ao pônei arisco e à caça? Será o fim da vida e o início da sobrevivência.

Amamos esta terra como o recém-nascido ama as batidas do coração da mãe. Assim, se lhes vendermos nossa terra, amem-na como a temos amado. Cuidem dela como temos cuidado. Gravem em suas mentes a memória da terra tal como estiver quando a receberem. Preservem a terra para todas as crianças e amem-na, como Deus nos ama a todos.

Assim como somos parte da terra, vocês também são parte da terra. Esta terra é preciosa para nós, também é preciosa para vocês. Uma coisa sabemos: existe apenas um Deus. Nenhum homem, vermelho ou branco, pode viver à parte. Afinal, somos irmãos.”




Hipácia de Alexandria

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Eros e Psique

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Ítaca

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